O DEBATE
 

 

O DEBATE

Jacy de Souza Mendonça



Lamentável! Perdi o meu tempo e as minhas esperanças. Se esses e só esses são os candidatos nos quais posso votar, foi-se totalmente minha disposição de participar desse escrutínio. Votar tem, então, para mim, o mesmo valor de jogar fora uma oportunidade.

Um programa como esse poderia (e deveria) ser o melhor instrumento para os candidatos exibirem suas ideias sobre o futuro do País e com elas, e graças a elas, vencerem o prélio mas, para isso, seria necessário que cada um tivesse um programa de governo e gastasse os minutos que lhe foram oferecidos explicando esse programa e revelando o modo como pretendia implementá-lo uma vez eleito. Não tivemos absolutamente nada disso.

A conclusão óbvia é que nenhum deles tem programa nenhum deles preocupou-se realmente, até agora, com o amanhã do Brasil. Em que pesem nossas carências políticas, econômicas, morais e sociais, não temos, portanto, até hoje, um novo futuro de esperança previsível. Continuaremos a ser dirigidos por moscas tontas, prisioneiras de uma garrafa da qual querem (será?) sair e não sabem como. Pobres de nós! Nosso País, com tantas possibilidades de ser grande, de gerar um ambiente de felicidade para seu povo, precisa de líderes, mas aqueles que se apresentam com o propósito de nos mostrar o caminho a trilhar estão mais perdidos que varejeira na vidraça, como diria um guasca do sul.

O que nos ofereceram no denominado debate foi uma comédia, foi um lamentável espetáculo de bate-boca, foi uma rinha coletiva de excitados galos cegos. Um espicaçando o outro, provocando sua reação e ficando com isso satisfeito. O objetivo de todos eles era desqualificar o adversário e ver como ele reagia às agressões. Nenhum dos gladiadores preocupou-se com o Brasil. Todos estavam de olho nos demais, na faina de vê-los sucumbir atingidos em seus pontos frágeis. Ao escolher o adversário, como lhes foi proposto, o importante era selecionar o mais frágil, era descobrir o calcanhar de Aquiles do inquirido.

Os comentaristas concluíram em geral que, agora conhecemos melhor nossos candidatos. Não me parece que isso seja verdade, mas até pode ser embora não fosse esse nosso desejo. Nossa esperança não era saber qual o mais simpático, conhecer algo do passado deles,  mas sim prever um pouco o futuro do Brasil e sobre isso, nada.

De que nos serve saber algo da vida pretérita dos políticos? Nós temos os olhos voltados para o dia de amanhã, para o futuro de nossos pósteros. E continuamos olhando para o vazio..