POLÍCIA AO GOSTO DOS LADRÕES!
 

 

POBRE POLÍCIA POBRE

Jacy de Souza Mendonça



Uma tentativa de arrombamento levou-me a visitar a Delegacia de Polícia. Foi difícil falar com o Delegado porque estava prestando serviços em outra repartição, para suprir a deficiência de pessoal. Falei com o escrivão. Depois de apresentar-me como advogado e ex-Promotor de Justiça, residente nas proximidades daquela repartição, narrei o ocorrido e exibi ferramentas do delinquente, abandonadas na fuga e recolhidas com todo cuidado para preservar as digitais.

Após alguns rodeios, o funcionário foi claro:

- Doutor, com outras pessoas eu poderia conversar, mas, com os seus antecedentes biográficos, preciso ser direto: nós não temos condições de fazer nada. Não temos pessoal, não temos viaturas, não temos material técnico. Análise datiloscópica só podemos fazer pelo método comparativo, isto é: se o senhor indicar algum suspeito, poderemos recolher as digitais dele e comparar com os sinais deixados nos objetos. No mais, se o senhor desejar, podemos registrar a ocorrência, mas ela vai simplesmente ficar guardada em uma gaveta...

Dispensei o registro da ocorrência, agradeci a gentileza do atendimento e fui-me embora.

Assim estamos nós. Abandonados a nós mesmos os bandidos sabem disso, podendo portanto trabalhar tranquilamente. Por isso o índice de criminalidade é tão elevado em todas as camadas sociais, desde o topo da administração até o mais pobre dos favelados.

O Estado brasileiro esqueceu-se de que sua primeira e fundamental finalidade é providenciar segurança aos cidadãos. Como ele não se ocupa com essa finalidade, temos um País de delinquentes. Os noticiários diários estão prenhes de notícias dessa natureza. Poucos delinquentes, por motivos especiais, são recolhidos aos presídios, o que serve apenas para saírem de lá mais escolados.



Não temos sequer o direito de nos queixarmos dos policiais, porque eles fazem o que podem fazer. São tão vítimas quanto todos nós.



Pobre Polícia tão pobre! Pobre povo tão desamparado!