COLOMBIA: CORTE SUPREMA SUBMISSA AO FSP
 

 
O Foro de São Paulo ordena e a Corte Suprema de Justiça executa a ordem contra Uribe


 


Eduardo Mackenzie


 


A ordem de acelerar a conspiração judicial contra o ex-presidente Álvaro Uribe foi discutida nos corredores da recente reunião em Havana do Foro de São Paulo (FSP). O que fazem os magistrados da Corte Suprema de Justiça (CSJ) envolvidos na intempestiva convocatória lançada contra o ex-chefe de Estado colombiano, que por sua vez é o senador que mais votos recebeu (875.000 votos) nas eleições legislativas de março passado, é a aplicação mais ou menos disfarçada das determinações distribuídas na reunião do FSP, onde estiveram presentes, entre os mais de 600 delegados, elementos das FARC e do ELN [1].


Uribe governou a Colômbia de 2002 a 2010. É o líder político mais ilustre da Colômbia e o principal crítico do presidente em fim de mandato Juan Manuel Santos e de sua pretendida "negociação de paz" com as FARC.


Os magistrados envolvidos na convocatória por se submeter a essa agenda subversiva, que só é, a olhos vistos, um ato de humilhação e de morte política contra o senador Uribe, e não um ato legal de uma corte normal, pois a origem de tal processo "por um provável suborno e provável fraude processual" é totalmente aberrante [2], terão que responder ante a lei e ante a opinião pública nos meses que vêm.


O Foro de São Paulo é uma organização subversiva internacional. Foi fundado por Fidel Castro em pessoa, em 1990, após a queda do Muro de Berlim, com a colaboração de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil e hoje encarcerado por corrupção. O objetivo dessa estrutura, a qual dispõe de aparatos tanto visíveis quanto clandestinos, é o de orientar e guiar a ação sediciosa no continente e em alguns países europeus, sobretudo da Espanha.


Na Declaração Final, dada a conhecer em 20 de julho passado, esse obscuro arcabouço comunista dedicou à Colômbia uma atenção especial. Lá, em um parágrafo de 11 linhas, resumiu seu programa de ação tática para o período que vai desde o fim do regime pró-FARC de Juan Manuel Santos e o começo da presidência de Iván Duque, um dirigente do partido de oposição Centro Democrático.


As ordens do Foro de São Paulo, quer dizer, da ditadura cubana, são formuladas assim:


"Reafirmamos nossa absoluta convicção de apostar pela paz, em concordância com a Declaração da CELAC, que em janeiro de 2014 declarou a América Latina como zona de paz. Por isso, respaldamos o pedido das forças políticas e sociais da Colômbia para que o governo colombiano cumpra com a implementação dos Acordos de Havana, mantenha aberto o processo de diálogo com o ELN e dê passos certeiros para acabar com o assassinato de ex-combatentes e líderes sociais, políticos, ambientais e defensores dos DDHH. Denunciamos as ações da ultra-direita nacional e internacional para boicotar a Paz. É evidente que a Casa Branca, o sionismo internacional e as forças mais retrógradas do continente, persistem em conseguir que os grupos oligárquicos da Colômbia continuem sendo tropa de choque a favor dos interesses transnacionais na América do Sul. É vital a luta contra esta estratégia, que já colocou um dos países da CELAC como membro da agressiva OTAN" [3].


Teria que designar com nomes próprios os líderes que o FSP converte em objetivo militar e político quando fala da "ultra-direita nacional" que "boicota a paz", e dos "grupos oligárquicos" que são, segundo eles, uma "tropa de choque a favor dos interesses transnacionais na América do Sul"? Teria que explicar que esse texto pede a Iván Duque a aplicação ponto por ponto dos nefastos pactos de Havana entre as FARC e o governo de Santos? Teria que dizer que quando o FSP caracteriza a América Latina como "zona de paz" assinala o sub-continente como zona de livre intervenção das forças políticas, policialescas e militares dos regimes e movimentos que integram o FSP?


Isso não é tudo. A declaração do FSP dá igualmente uma ordem precisa e peremptória: convida seus membros a "reverter (&hellip) a vitória de figuras da direita conservadoras ou ultra-conservadoras no Chile, Paraguai e Colômbia".


A ameaça é clara. Colômbia, Chile e Paraguai estão avisados. O bando FSP revela que está organizando aberta e de maneira encoberta, golpes destinados a "reverter" o governo de Iván Duque e a liquidar a liberdade de ação política de líderes liberais-conservadores, como o ex-presidente Álvaro Uribe, e dos dirigentes das formações que voltam ao poder. A ameaça contra os setores da Colômbia que ganharam as eleições de março e maio de 2018 é clara e não serve de nada tratar de esconder essa realidade como se o Foro de São Paulo, seus 28 "encontros", e seus 117 partidos e grupos extremistas, fossem uma quimera [4].


O FSP foi um dos principais artífices da ditadura de Hugo Chávez que destruiu a Venezuela e um suporte das emanações do castro-chavismo no continente. Os apoios mais firmes que os tiranos Daniel Ortega e Maduro têm vêm do FSP.


Obvimente, o primeiro passo dentro da dinâmica golpista do FSP na Colômbia consiste em "reverter a vitória de figuras de direita". Quer dizer, a eliminação moral do ex-presidente Álvaro Uribe, líder do partido Centro Democrático e mais tarde, se tiverem êxito, dos dirigentes da vasta coalizão de partidos que ganharam a eleição presidencial que levou ao poder, em maio, Iván Duque e sua vice-presidente Marta Lucía Ramírez.


Assim, após a ordem de 20 de julho do FSP em Havana, o cartel da toga respondeu em Bogotá com disciplina: quatro dias depois anunciou que havia aberto um processo contra o senador Uribe.


Encontramos na mesma declaração do FSP outro grupo de ameaças: anuncia que se esforçará para impedir "o fortalecimento público de figuras e projetos de raiz fascista em vários países". Como no hemisfério não há partidos fascistas, os comunistas do FSP têm que inventar fascistas de papelão. A razão que têm para mostrar aos liberais e conservadores como "fascistas" é óbvia: os liberais e conservadores são seus inimigos, são o muro que lhes impediu chegar ao poder pela via armada e pela via eleitoral, ou mediante uma combinação dessas duas estratégias, como fizeram na Colômbia durante 50 anos. As forças vivas da democracia representativa são detestadas pelos comunistas pois elas, além disso, os estão tirando do poder e pagando um preço heróico em vidas humanas nesse esforço libertário. Nos desgraçados países que caíram, as garras do FSP causaram as massivas destruições humanas, sociais, econômicas e políticas que horrorizam hoje o mundo, sobretudo na Venezuela e Nicarágua.


É claro que o ex-presidente Álvaro Uribe é uma prioridade dos verdugos do FSP, e era desde antes de ser eleito presidente pela primeira vez. Em 2005, Alejandro Peña Esclusa, um líder anti-chavista venezuelano, revelou isso em uma carta aberta desse ano, antes de ser encarcerado pelos esbirros de Hugo Chávez [5]. Treze anos mais tarde, o FSP coordena uma montagem grotesca contra o ex-presidente Uribe. Este, para ter maior espaço para organizar sua defesa, anunciou que renunciaria à sua condição de senador. Tal renúncia é um ponto ganho pelos conspiradores. Entretanto, a sofisticada montagem contra o ex-presidente Uribe será demolida, como as anteriores. O ex-mandatário colombiano foi respaldado pelo presidente eleito Duque e pelos líderes do Centro Democrático. As bases militantes e a cidadania também querem demonstrar seu apoio a Uribe: manifestações e plantões em todo o país foram convocadas para o dia 29 de julho próximo, para rechaçar a infame paródia de processo do magistrado Barceló, sob a palavra de ordem "#UribeesColombia".


Notas do autor:


[1] - Os grupos colombianos que fazem parte do FSP são: Partido Comunista Colombiano, Marcha Patriótica, Movimiento Progresista, Partido Alianza Verde, Polo Democrático Alternativo, Presentes por el Socialismo, Unión Patriótica, Movimiento Poder Ciudadano. As FARC e o ELN são membros fundadores do FSP, embora em sua propaganda digam não favorecer o terrorismo nem a violência. "Timochenko" e "Rodrigo Granda" pensaram em ir a esse evento mas a JEP não lhes autorizou a viagem. Em troca, a ex-senadora destituída Piedad Córdoba chegou sim até lá, em companhia do presidente do Partido Comunista da Espanha, José Luis Centella.


[2] - O magistrado José Luis Barceló, da sala penal da CSJ, converteu uma legítima tentativa dos advogados de Álvaro Uribe de organizar sua defesa e revelar o mecanismo fraudulento utilizado pelo senador comunista Iván Cepeda, em um possível delito de "manipulação de testemunhas". Há anos Cepeda trata de empanar o senador Uribe para se vingar dele por sua política anti-terrorista que desbaratou as FARC em 2008. Cepeda montou a acusação de que Uribe havia tido "nexos" com os paramilitares em finais dos anos 1990. Entretanto, quem manipula testemunhas é Iván Cepeda. Ele reuniu-se 21 vezes, na penitenciária La Picota, de Bogotá, com um criminoso, Juan Guillermo Monsalve, para que enlameasse o nome de Uribe em troca de dinheiro. Monsalve recebeu um pagamento por intermédio de uma ONG. Porém, o pai de JG Monsalve desmentiu o que seu filho havia dito. O pai de Iván Cepeda, Manuel Cepeda, foi membro do comitê central do PCC (Partido Comunista Colombiano) e chefe, nos anos 1970, das relações secretas entre o PCC e as FARC. Uma frente das FARC leva seu nome. Em 15 de maio de 2018, um amigo particular de Iván Cepeda, Gonzalo Guillén, enviou a Barceló a ordem pública, sob a forma de um artigo de imprensa, de assinar a "prisão imediata" do ex-presidente Uribe, sob pena de ser acusado de prevaricato, pois Barceló vacilava ante a fragilidade do processo. Finalmente, sob novas pressões de Cepeda e Guillén, Barceló deu a ordem em 24 de julho passado para fazer o ex-presidente Uribe comparecer, porém omitindo a existência de uma ordem de captura contra o senador pela explosão política nacional que isso poderia causar. Ver http://www.periodicodebate.com/index.php/opinion/columnistas-nacionales/item/19618-la-intriga-para-encarcelar-a-uribe. Ver igualmente em: http://www.lahoradelaverdad.com.co/rafael-nieto-loaiza-ex-viceministro-de-justicia-y-ex-precandidato-a-la-presidencia-habla-del-caso-contra-el-ex-presidente-y-senador-alvaro-uribe-velez/ 


[3] - A Colômbia é, desde 31 de maio de 2018, "sócio global" da OTAN, junto com o Japão, Austrália, Afeganistão, Iraque, República da Coréia, Mongólia, Nova Zelândia e Paquistão. Ver a declaração final do encontro do FSP em Cuba: http://forodesaopaulo.org/declaracion-final-del-xxiv-encuentro-del-foro-de-sao-paulo-15-al-17-de-julio-de-2018/. Ver igualmente em: https://redh-cuba.org/2018/07/declaracion-final-del-xxiv-encuentro-del-foro-de-sao-paulo-video/


[4] - Ao Encontro e julho em Havana participaram quatro presidentes castristas - Miguel Díaz-Canel, de Cuba, Nicolás Maduro, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia e Salvador Sánchez Cerén, de El Salvador - e dois ex-presidentes destituídos: Manuel Zelaya, de Honduras, e Dilma Rousseff, do Brasil.


[5] - El Foro de Sao Paulo contra Álvaro Uribe, por Alejandro Peña Esclusa, Randon House Mondadori, Bogotá, agosto de 2008.


Tradução: Graça Salgueiro