A DITADURA BUROCRÁTICA BRASILEIRA
 

 

ASSIM NÃO PODE DAR CERTO

Jacy de Souza Mendonça



Usando números arredondados, com o propósito de facilitar o raciocínio, o governo brasileiro arrecada 45% de tudo o que os cidadãos produzem, individualmente ou através de suas empresas. Isso já seria trágico: as empresas brasileiras têm um sócio que não faz nada por elas, ao contrário, está sempre voltado a destruí-las, mas, apesar disso, fica com quase a metade do que elas conseguem vender. Se elas acabassem e com elas os cidadãos contribuintes, o Estado teria que fechar as portas, por falta de recursos, mesmo assim, trata essas suas fontes de renda com desprezo e despudorada sede de achaque.

Se esse dado já causa horror, pior ainda é saber que, do total açambarcado pelo erário público, 80% são destinados exclusivamente ao custeio da máquina burocrática e só 20% retornam em benefícios à sociedade. Dito de outra forma, do resultado de tudo o que o cidadão brasileiro produz com o suor de seu trabalho, 36% são consumidos direta ou indiretamente pelo funcionalismo público, considerado desde o mais alto até o mais baixo grau na escala funcional. E esses beneficiados ainda não estão satisfeitos. O Congresso Nacional acaba de dar um espetáculo vampiresco ao fechar a casa para recesso, destinado a dedicar-se à próxima campanha eleitoral: os dois últimos projetos de lei que seus membros aprovaram têm como objeto exclusivamente mais vantagens para o funcionalismo público...

É bem verdade que fizeram isso envergonhados: o parlamentar que leu as propostas fê-lo cabisbaixo, certamente para não ser visto nem reconhecido, e a Presidência dos trabalhos não colheu votos individuais abertos dos parlamentares, como é a regra, mas optou por uma apuração simbólica, um levantar de mãos, atrás do qual se ocultam aqueles que (e foram todos) aprovaram essas propostas indecorosas.

Eu era ainda criança e já lia e ouvia: ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil. Substitua-se hoje saúva por ditadura burocrática.