CORPORATIVISMO E PATRMONIALISMO
 

 

Corporativismo & Patrimonialismo: a mentalidade senhorial do establishment para além das aparentes oposições



Ricardo Gustavo Garcia de Mello



O establishment é uma casta parasitária que não se restringe ao estamento político e burocrático, ela também abarca os aparelhos ideológicos, associações internacionais, movimentos sociais, plutocratas, militares, intelectuais e celebridades. O establishment busca o poder total através do monopólio dos recursos ou meios de ação - armas, riqueza e informação. Essa casta parasitária se considera uma comunidade senhorial de homens superiores e indispensáveis que foram privilegiados pela natureza ou predestinados, mas que vivem da exploração dos recursos e do trabalho da sociedade.  



Nesse mundo governado pela casta não existe cidadão, mas senhores e súditos. Os súditos são seres humanos desprovidos naturalmente das qualidades superiores, e por isto nascidos para servir. Essa mentalidade de casta é tipicamente senhorial. Ela fica visível no estamento político, burocrático e na plutocracia como patrimonialismo. O patrimonialismo é a confusão entre o público e privado, e entre a propriedade e o bem de outrem. O patrimonialista busca se apropriar da propriedade alheia por meio da astúcia, força ou "inteligência".



A mentalidade senhorial pode se apresentar também no andar debaixo e nos considerados "outsiders" que buscam se tornar uma casta privilegiada, o novo Establishment. Tal mentalidade fica visível na forma do corporativismo.



Oliveira Vianna (1882-1956) nas obras "Populações Meridionais" (1919), "Idealismo da Constituição"(1939), "Problemas de Organização e Direção" (1952) e "Instituições políticas brasileiras" (1952). Percebeu a carência de laços de solidariedade social e a presença de um forte corporativismo. 



Uma sociedade salutar é formada pela cooperação entre indivíduos e grupos para o bem comum, e pela sinergia de forças na luta contra os inimigos externos e internos. Isso forma a concepção de um "Nós" abrangente e inclusivo. Já a nossa sociedade é carente de solidariedade. O que existe é uma mentalidade corporativa, a concepção de um "Nós" restrito e sectário. Essa mentalidade corporativa está presente nas organizações e associações das mais diversas naturezas e funções.



O corporativista acredita que ele e sua organização é mais importante de que toda a sociedade, um raciocínio tipicamente senhorial. E o seu objetivo é submeter a vida social a sua vontade. O corporativismo não se reduz ao tipo de organização onde as lideranças estão atreladas aos interesses do governo, plutocracias ou funcionam como engrenagens da correia de transmissão ideológica de aparatos partidários. Quando uma associação ou organização coloca o seu interesse e importância acima de tudo, é corporativismo e não patriotismo. Ou seja, um órgão que se julga mais puro e importante que o próprio organismo social.



FONTES



As cinco etapas da destruição do Brasil e o túmulo socialista chamado Nova República - Alex Pereira - 27/05/2018



https://www.youtube.com/watch?v=BSjWcKAvQU4



Transporte no brasil e a paralização nacional - Heitor De Paola - Outro Lado da Notícia -  25/05/2018



https://soundcloud.com/rvox_org/transporte-no-brasil-e-a-paralizacao-nacional-239-25052018



Bibliografia



PAIM, Antonio. Interpretações do Brasil, Edcições CEFIL, 2000, 2ªed. Revista e Ampliada.



PAIM, Antonio, A Querela do estatismo, 2º ed. Revista e Ampliada, 1999, edições  de Humanidade, Londrina.



PAZ, Octavio. El ogro filantrópico, Barcelona Seix Barral, 1983.



PENNA, José Osvaldo de Meira. O Dinossouro: uma pesquisa sobre o Estado, o patrimonialismo selvagem e a nova classe de intelectuais e burocratas. São Paulo Queiroz, 1988



VIANNA, Oliveira. Evolução do povo brasileiro. 4ª ed. Livraria José Olympio, 1956



VIANA, Oliveira. Populações meridionais. Brasília: Senado Federal, 2004.



VIANA, Oliveira. Instituições políticas brasileiras. Brasília: Senado Federal, 1999



VIANNA, Oliveira. Problemas de organização e problemas de direção. 2 ed. Rio de Janeiro, Record, 1974



VIANNA, Oliveira. .O Idealismo da Constituição, ed. Aumentada, Brasiliana, RJ  1939



MIHAIL Manoilescu, O Século do corporativismo: doutrina do corporativismo integral e puro. Rio de Janeiro, José Olímpio, 1938.