A DIFERENÇA ENTRE A JUSTIÇA BRASILEIRIA E A AMERICANA
 

 

EUA x BRASIL

Jacy de Souza Mendonça

José Maria Marin foi condenado nos EUA, como participante do Fifagate, por locupletar-se ilicitamente na administração da Copa do Mundo, Copa América, Copa Libertadores da América e Campeonato brasileiro, incorrendo assim na prática de seis tipos criminais. Aguarda na prisão o estabelecimento do quantum da pena a ser cumprida. Enquanto isso, seu corréu, Marco Polo Del Nero, que teve a sagacidade de distanciar-se das fronteiras dos Estados Unidos e homiziar-se no Brasil, embora impedido pela Interpol de viajar ao exterior, permanece imune em nosso território nacional.

Aqui, José Genoíno, José Dirceu, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto foram agraciados, no ano passado, pelo indulto presidencial de Natal e passaram a gozar tranquilamente de plena liberdade.

José Dirceu, melhor ainda, mereceu como prêmio pelas condenações penais que caíram sobre ele uma aposentadoria com o benefício mensal de R$ 10.000,00, que nós estamos lhe pagando.

Marcelo Odebrecht é prisioneiro em sua luxuosa mansão no Morumbi, em São Paulo e o doleiro Lúcio Funaro é mais um prisioneiro a domicílio, só que em sua fazenda no interior do Estado de São Paulo. A esposa de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, mereceu também recolhimento prisional à sua própria casa porque tem um filho de doze e um de quinze anos, que necessitam de supervisão (como se a maioria das mulheres que estão presas não tivessem filhos nas mesmas condições).

Três Ministros do STF, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Marco Aurélio tornaram-se famosos pela sistemática libertação de réus que foram presos até por decisão da Corte de que participam, circunstância que solenemente ignoram e desprezam. Graças a eles acabam de ir para casa recentemente Jacob Barata (o empresário-mor do transporte coletivo no Rio de Janeiro), o ex-governador Antony Garotinho e sua esposa Rosinha. As determinações dos colegas de Tribunal do comprometido trio, são tripudiadas e eles nem reagem contra isso, o que possibilita gente do povo considerá-los covardes ou suspeitar de que o benefício da soltura resulte de farta compensação monetária. Enfim, nenhum efeito produziu até agora o pedido de impeachment de Gilmar Mendes.

Paulo Maluf, que conseguiu se manter livre durante a tramitação de vários processos crime nos últimos 30 anos, só agora, com a saúde já extremamente corroída, é exibido a caminho da cela, como trunfo demonstrativo da eficiência do Judiciário. Apesar da idade e do precário estado clínico, espera pelo fim do recesso do Tribunal para pleitear também o benefício da prisão domiciliar.

Fechando essa série deprimente, desponta agora um generosíssimo e profundamente suspeito indulto de Natal que servirá de gazua eficaz para abrir as porteiras prisionais, permitindo a saída triunfal de 40 condenados no tsunami da corrupção de políticos e empresários, além de enfraquecer definitivamente o ingente e sério trabalho de juízes, membros do Ministério Público e policiais, contra a lesão patrimonial de empresas públicas e do erário público federal. O Brasil que foi escandalosamente saqueado e que anseia pela punição dos saqueadores, assiste a esse lamentável capítulo final de tolerância judiciária com a criminalidade, que lembra o desfecho do processo das Mãos Limpas na Itália: políticos salvam políticos.

Esse paralelo entre a seriedade e a tolerância com que são tratados os delinquentes nos EUA ou no Brasil explica suficientemente porque os índices de criminalidade aqui são tão mais elevados do que lá. Os ladrões de nossa terra esfregam felizes as mãos pensando como é bom, conveniente e tranquilo ser delinquente no Brasil basta evitar a aproximação das fronteiras yanques... Não precisam mais dedicar-se a delações privilegiadas, pois, no fim de contas, os colegas virão em auxílio deles, até porque todos cometeram os mesmos pecados.

(Ênfase do editor)