PERSPECTIVAS POLÍTICAS DA ALEMANHA
 

 

Porque a nova coalizão Jamaica virá

DER SPIEGEL

Por Sebastian Fischer

23 de outubro de 2017

O ambiente é favorável. A partir de agora a aliança entre o Union, FDP e os Verdes dependem apenas de alguns detalhes. As negociações caminham para um desfecho positivo. Há vários motivos para uma provável aliança.

Já faz um tempo, em que se fala na organização das coalizões e seus projetos. A aliança Vermelho-Verde é um exemplo. Já a caótica coalizão Preto-Amarela, com Ângela Merkel acabou até mesmo animando os envolvidos, mas não foi à frente. É difícil que o fato do início das conversações para uma coalizão Jamaica, seja levado por alguma motivação emocional. Uma aliança de UNION, FDP e Verdes é válida simplesmente pela necessidade da qual os participantes possuem. Não há o que questionar, mas sim agir.

Após as primeiras sondagens de potenciais parcerias, na semana passada, as conversações se tornarão mais concretas nas próximas terça e quinta-feira, cujo conteúdo além de político, passará por finanças, impostos e Europa. O nº de temas avulsos deve ser detalhado e trabalhado, quando finalmente as negociações para a coalizão, não tenham mais a possibilidade de fracassar.

Há muitas convergências entre os partidos. Nas questões sociais, o CSU e os Verdes estão bem alinhados. Nas regras de imigração, os Verdes e o FDP estão de acordo e caminham juntos. Por outro lado, FDP e CSU são contra a criação de um limite no acolhimento do nº de imigrantes. Quanto aos benefícios fiscais, o UNION e FDP estão de acordo. Para  Joschka Fischer (1), em entrevista ao DER SPIEGEL, a pressão por uma unificação tornaria a coalizão Jamaica, uma necessidade.

A pragmática e fria aproximação em um novo modelo de coalizão aumentou nos últimos tempos, as chances para que ela ocorra. Ou como Ângela Merkel disse no final de seu discurso: “A criatividade, a disposição e a reflexão estão absolutamente ao meu lado”. Com essas expectativas é provável que nada saia de errado.

É muito provável que a coalizão Jamaica venha. Faltam apenas alguns detalhes.

1. O SPD NÃO ESTÁ PRONTO: Na verdade, o SPD nas eleições do Bundestag, teve uma derrota acachapante, porém muitos social-democratas vêem o fim da grande coalizão como uma libertação. Quase ninguém no SPD gostaria de se privar dessa nova liberdade e no futuro, a nova criação de um líder de oposição. Excetuando-se talvez, Sigmar Gabriel, que quer demasiadamente, permanecer como ministro das Relações Exteriores. O grande resultado nas eleições em Niedersachsen intensificou o caminho para a oposição. O SPD não precisa temer as novas eleições, pois a coalizão Jamaica não funcionaria, uma vez que já dissolveria sua base eleitoral.

2. NOVA ELEIÇÃO NÃO É UMA OPÇÃO: Os interlocutores da coalizão Jamaica, não são desconhecidos para os outros partidos. A chanceler Merkel já recusou quaisquer especulações de novas eleições, as quais seriam consideradas um desrespeito aos votos dos eleitores. Significa que reciprocamente, Merkel aposta tudo num sucesso da coalizão Jamaica. Na realidade, uma nova eleição seria um desastre aos olhos do UNION. Os estrategistas em Berlim e em Munique estão unidos para tirar vantagem de uma arapuca contra o AfD.

3. TRÊS DOS QUATRO LÍDERES DE PARTIDO ESTÃO EM UM EMBATE E PRECISAM MOSTRAR RESULTADOS: Apenas um partido está disposto a uma conversa clara, delineada e uma irrefutável estratégia central. Esse partido é o FDP, com a liderança de Christian Lindner. Que Lindner tanto possa estar na base, quanto no núcleo dessa união particular, não importa. Para o CSU, os Verdes e o CDU a situação é um pouco mais complexa.

Na verdade ninguém no CDU colocou a dignidade da chanceler Merkel em questão, apenas uma objeção a respeito de sua indiferença ao mal resultado obtido nas eleições.Está claro que Merkel está indo para o seu último mandato e é lógico que estão sendo ensaiados os possíveis cenários e sucessores de seu cargo na chancelaria. Por muitas vezes, nesse contexto, aparece o conservador Jens Spahn, o qual ocupou um cargo ministerial. Merkel precisa concluir as negociações de maneira rápida e contínua, de modo que ela retorne às atividades cotidianas do governo.

Por outro lado, a situação de Horst Seehofer é perigosa. A impressão é de que ele mais e mais está disposto a agir como um chefe de partido e ministro presidente. Nenhum partido perdeu tanta força nas eleições do Bundestag, como o CSU. Em nenhum lugar no oeste da Alemanha, o AfD conseguiu tantos votos quanto na Bavária. 

Influentes social-cristãos, já exigiram de Seehofer, preparação para uma transição organizada com Markus Söder, o qual é um desafeto e seu sucessor. O chefe do CSU planejou para novembro, uma convenção do partido, a qual acabou sendo transferida para o meio de dezembro, onde possivelmente será apresentado o resultado final das negociações para a coalizão Jamaica. Conseguindo um resultado positivo, Seehofer irá deixar os dois cargos. É o que ele espera.
 E os Verdes?

Cem Özdemir e Katrin Göring-Eckardt, ambos norteados pela candidatura Preto-Verde, têm apenas o dever de provarem suas habilidades de negociação com o Union e FDP. O fracasso nas conversações para a aliança Jamaica, poderia desencadear novamente nos Verdes, um conflito de alinhamento do partido com a  Realos (2) e os partidos de esquerda. As questões políticas ainda estão pendentes, o que também demonstra a participação de  Jürgen Trittin (3) nas reuniões de debate. Os partidos de esquerda, realmente não têm nenhum cargo, o que faz com que seja fácil para Trittin, se misturar entre os representantes de outros partidos.

4. AS PESQUISAS DE OPINIÃO: De acordo com o canal de TV ARD, 57% dos entrevistados pela emissora classificam a aliança Jamaica como boa ou muito boa. Os negociadores, não se devem deixar vislumbrar por tal resultado. Até bem pouco tempo, os alemães preferiam uma grande coalizão representada pela aliança  Groko (4).

5. QUEM ESTÁ POR DETRÁS DO CIVEY? : Civey é um instituto de pesquisas online com sede em Berlim. A empresa funciona em parceria com diferentes integrantes entre eles: o DER SPIEGEL, Der Tagesspiel, Cícero, DER FREITAG e Change.org (N do E): O Civey irá financiar através do programa de patrocínio Profit, do banco Investitionsbank Berlim e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o progresso regional do continente.

NOTAS D TRADUTOR:

(1) Ex-ministro das Relações Exteriores do chanceler Gerhard Schroeder de 1998 a 2005.

(2) Significa o chamado real posicionamento político dentro da Aliança 90/Verdes, que visa facilitar coalizões e reformas nas cidades, comunas e Estados da Alemanha.

(3) Político alemão do Aliança90/Verdes.

(4) Aliança dos grandes partidos alemães CDU, CSU e SPD. Abreviação de “Groß Koalition”, grande coalizão em português.

Tradução - Márcio Alexandre: http://www.ma-traducoes.webnode.com/