COMEMORAÇÃO MACABRA
 

 

A REVOLUÇÃO RUSSA
 
 Jacy de Souza Mendonça


 A imprensa nacional está gastando exorbitante quantidade de tempo e papel para comemorar o centenário da deflagração da revolução russa, que ocorre hoje, 7 de novembro. Por quê?

Estarão festejando os 23 milhões de cidadãos assassinados impiedosamente pelos líderes daquele movimento, em nome da liberdade?

Ou será que estão prestando homenagem aos inúmeros países vizinhos à Rússia que foram subjugados e mantidos sob a prepotência do tacão dos revolucionários durante décadas, exterminando os dissidentes?

Ou quem sabe se trata de homenagem póstuma a todos os cidadãos do mundo que, em seus países, foram vitimados nas inúmeras tentativas de espalhar o formato político soviético por todo o mundo?

Ou será, ainda, apenas uma festa pela perda da liberdade de dezenas de milhões de seres humanos na face da terra?

Em lugar dessa festa, por que não prestam merecida e saudosa reverência póstuma a Soljenitsin e todos os seus colegas, perseguidos ou mortos por não concordarem com a violência implantada pelos déspotas marxistas?

Enquanto endeusam os líderes bolchevistas, porque essa mesma imprensa não fala nada sobre a fome que se alastrou por toda a Rússia durante o domínio revolucionário ou sobre o arquipélago Gulag sobre o sangue de inocentes derramado nas estepes siberianas, transformadas no maior presídio aberto da humanidade? Por que nada se diz a respeito dos sumários julgamentos condenatórios pelo crime de discordar da escravização? Por que não reportam nada sobre as famílias que foram rasgadas e separadas pelo muro de Berlim? Por que ninguém lembra a frustração daqueles que acreditaram na promessa de um paraíso na terra e foram jogados no inferno do terror? Por que nada se diz sobre os assassinatos praticados por guardas russos, ou simpatizantes dominados por estes, contra conterrâneos que tentaram ultrapassar aquele muro fugindo da liberdade, fugindo do paraíso soviético (?), arriscando a própria vida na tentativa de escapar da fome e da escravização a que estavam submetidos?

 Deveria ser lembrado também, nesse momento, que foram os mesmos cidadãos russos que acabaram à força com o regime que lhes fora imposto sob a promessa de um novo éden, agora nas estepes russas, onde imperasse a abundância. Deveria ser lembrado que nenhum russo, nem o atual czar Putin, quis festejar essa efeméride, preferindo estratégico silêncio.

 Por que só aqui acendem-se tantas velas no bolo desse triste aniversário?

 Será que ainda há algum doente mental que deseje repetir a mesma desgraça em outros recantos da terra?

 Ou, o que seria o absurdo dos absurdos, será que ainda há quem sonhe com a reiteração dessa tragédia para nós brasileiros? Não serão suficientes as cruentas tentativas frustradas que nossa História registra?