ALEMANHA: O FENÔMENO AfD
 

 


Refugiados e segurança interna: Análise sobre os políticos do AfD demonstra uma guinada à Direita


Por Kordula Doerfler


BERLINER ZEITUNG 


16 de junho de 2017

Há quatro anos, durante as eleições para o Parlamento Federal (Bundestag), ocorreu a fundação do partido Alternative für Deutschland  e a sua primeira participação em eleições. Nesse pleito, eles conseguiram garantir com 4,7% dos votos, a sua presença no Bundestag. Em todas as 13 eleições estaduais que aconteceram de lá pra cá, eles passaram facilmente dos 5% e em 9 oportunidades superaram resultados acima de 2 dígitos. Uma história de sucesso, a qual estabeleceu o partido, e uma temeridade, sobretudo para aqueles que estimam, que o AfD, consiga realizar um grande e firme salto para o Bundestag. 

Políticos de todos os partidos cansam de se perguntar, como o total de 177 novatos nos Estados, deverão e conseguirão lidar com as coisas. Eles banem, excluem ou ignoram alguém?

Como eles se comportarão na agitação do dia a dia parlamentar? Quem eles são afinal de contas?

Um abrangente estudo dos políticos do AfD

Estudos iniciais mais abrangentes forneceram mais respostas à respeito tema. Os cientistas políticos Wolfgang Schroeder, Bernhard Wessels, Christian Neusser e Alexander Berzel pediram informações parlamentares, analisaram alguns materiais e consultaram importantes políticos de outras bancadas. Os resultados preliminares foram publicados por centros de estudos de Berlim e prestaram maiores esclarecimentos sobre o partido. As novas bancadas em Saarland, Schleswig-Holstein e Nordheim Westfalen não puderam ser levadas em conta nos estudos. Eles também analisaram 10 Câmaras Estaduais, as quais seus valores não foram menosprezados.

Os autores esclareceram o quão ambíguo é o AfD e até onde eles, como um partido Anti-União Européia, se moveram em direção à direita, desde a sua fundação. Hoje, eles estampam temas como: refugiados, migração, segurança interna e oposição ao Islam, além de suas atividades nas Câmaras Estaduais. “Não é fácil compreender o AfD de forma clara”, escreveram os autores. Isso vem sido observado, desde a Convenção em Essen, no ano de 2015, onde se observou claramente a sua guinada para a direita.

Algumas associações nacionais são mais pragmáticas a respeito da orientação do partido nas atividades parlamentares em Berlim, Sachsen, Rheinland-Pfalz e Hamburgo. As atividades parlamentares em outros lugares estão fortemente alinhadas com a oposição, a exemplo de Thüringen, Brandenburg, Sachsen-Anhalt e Mecklenburg-Vorpommern. É exatamente esse conflito de alinhamentos do partido que levou meses atrás Frauke Petry, a presidente nacional do partido, a ser desbancada da presidência.

Baixa participação de mulheres no AfD

A significância das mulheres no partido é muito pequena no AfD. Em princípio, as mulheres têm pouca representação em todos os parlamentos e o déficit no AfD é ainda maior. 85% dos deputados são homens e, além disso, se tornaram líderes de oposição e quase todos ocupam cargos importantes. A única exceção é Frauke Petry, a chefe do partido em Sachsen e a também presidente nacional do partido.

Certamente os autores se esforçam para dar uma aparência moderna ao partido, onde as mulheres realizam um papel importante em posições de liderança, como Alice Weidel, política de Baden-Württemberg, a qual conduz o partido na disputa eleitoral ao Bundestag junto a Alexander Gauland.

Além disso, é impressionante que em comparação com os outros partidos, muitos autônomos e profissionais liberais estão presentes nas Câmaras Estaduais. Que o AfD seja um partido apenas de Abgehängten (1), é algo também muito contestável, especialmente nas bancadas parlamentares do oeste da Alemanha. Esses, claramente se diferenciam dos que vivem no leste do país. Seus integrantes são jovens, independentes na maioria das vezes e pertencem de longe a uma ala que está sempre se mantendo em movimento.

(1) Termo utilizado para definir aqueles que vivem com uma pensão de invalidez do governo alemão. São cidadãos desempregados, pessoas incapacitadas de trabalhar devido a doenças e etc. Em geral são desacreditados com a política alemã dos últimos anos. Por volta de 1,8 milhões de alemães que recebem esse benefício do governo, limitado no valor de 1033 euros por mês.

Tradução: Márcio Alexandre