2018 - UMA INCÓGNITA
 

 

2018

Jacy de Souza Mendonça


Nosso próximo ano está prenhe de dificuldades políticas.

É ano de eleição e, até agora, não há candidatos previsíveis. Pelo contrário, há muita gente que ninguém quer como candidato, pacote no qual estão incluídos quase todos os políticos em atividade no País. A descoberta da epidemia de corrupção que graça entre eles permite suspeitar de que nenhum tenha escapado à sereia que lhes oferecia financiamento irregular e há uma lógica nessa suposição, pois o custo das campanhas políticas foi sempre muito superior ao que os eleitos poderiam vir a receber licitamente no exercício de suas funções portanto, tinham necessidade de alguma fonte paralela de financiamento. O simples fato de receberem generoso apoio de terceiros suscita a dúvida de ilicitude, pois esses mecenas naturalmente buscariam vantagens durante o exercício das funções públicas. Agrava-se o problema quando os fatos estão revelando que os aportes foram feitos principalmente ou, quem sabe, totalmente, com dinheiro de origem escusa, por isso mesmo impedido de ser formalmente
declarado às autoridades eleitorais. Resta, então, um universo muito pequeno de candidatos, jurídica e moralmente aceitáveis, dispostos a receber o ferro em brasa que será o poder de administrar o Brasil nos próximos anos.

Outro problema, ainda mais grave, é acrescido ao anterior: o papel da oposição. Ela já deixou evidente que, não se subordina às decisões nem do Parlamento nem do Judiciário, nem à polícia, nem aos direitos dos cidadãos. Foi obrigada a deixar os cargos que havia conquistado e agora pretende recuperá-los de qualquer forma, nem que seja pela violência. É o que declaram seus líderes e é o que confirmam os movimentos de desordeiros em situações recentes. Disputar cargos é normal e próprio da democracia, mas ocupá-los ou recuperá-los pela força é detestável, é absolutamente antidemocrático. Se tal vandalismo concretizar-se, ou tentar se concretizar, será imprescindível a ação das Forças Armadas, como prevê o texto constitucional. A oposição esquerdista, que, no passado, tentou aboletar-se ilicitamente no poder e foi duramente repelida pelas Forças Armadas, veste no momento os paramentos de vítima para protestar contra aqueles que a derrotaram e provoca, com todas as suas
forças, a repetição da situação, que terá como necessário epílogo o mesmo esmagamento que uma vez já lhe foi imposto. Critica a legítima intervenção militar, mas faz de tudo para que ela se repita. A democracia é um jogo em que se ganha ou se perde. Exigir e impor apenas a vitória contra todos e em qualquer circunstância é antidemocrático.

A oposição alça bandeira pseudo-ética ao bradar contra os atuais detentores do poder acusando-os de corruptos (fato inegável em relação a muitos, a julgar pelas informações já colhidas), fazendo-se ignorante da circunstância de que nenhum político, no exercício do poder, praticou tanta roubalheira quanto os atuais opositores no período em que estiveram no comando.

Triste é que, nesse conflito entre o mar e o rochedo, quem sai perdendo, outra vez, são as cracas, o povo brasileiro.

O cidadão de nosso País merece uma vida bem melhor, bem menos sofrida. Tem sido a vítima real desse estado de coisas, tem injustamente sofrido e pago a conta. Não é razoável colocá-lo novamente na fornalha que se prenuncia.

Esperemos que os homens da direita proponham candidatos isentos de culpa, que os homens da esquerda façam o mesmo e todos atuem como gente de bem, procurando pacificamente realizar seus objetivos que todos aceitem como normal a hipótese da derrota (o que ocorrerá inelutavelmente para um dos grupos) e que, assim, os encarregados da disciplina do fato político tenham a oportunidade de executar sua missão com a necessária isenção, em clima de paz, em busca do bem comum.

Há quem diga que estou sonhando...