O CULTO PAGO ME-TERRA

 

Carta da Terra ou decálogo da Nova Era

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

O ecologismo não busca garantir a preservação dos recursos naturais para a posteridade, mas a criação de uma Nova Ordem Mundial. Ele não está preocupado com as próximas gerações humanas. Os seus objetivos são por um lado, rebaixar o status natural da superioridade humana diante dos animais e plantas – combater a cosmovisão Ocidental de homem como ser livre feito à imagem e semelhança de Deus. E por outro lado, substituir as relações internacionais centradas nos Estados nacionais por um ecossistema ordenado pela Mãe-Terra – a criação de um governo global com base numa ideologia (neo)pagã. 

Os ecologistas querem erradicar a concepção humana de morada, a noção de lar que deita raízes na pátria, família e propriedade privada. Substituindo tal concepção pela morada global, a Mãe Terra. Para que a Mãe terra se torne uma entidade com autoridade global é necessário passar por cima dos obstáculos – as figuras de autoridade (Deus, Pátria, família e propriedade) - como uma moto-niveladora para tornar o terreno plaino, sem concorrentes.

A Mãe-Terra irá criar uma consciência global cuja a unidade não reside no Homem ou em Deus, mas na interdependência dos seres humanos, animais e plantas como filhos da Mãe-Terra.

A conceito de Mãe-Terra é uma concepção pagã e animista, pertence aos tempos trevosos do homem que desconhecia o Deus revelado, e deificava as forças da natureza. O homem atribuía a sua criação ao útero da Mãe-Terra, a mãe de tudo o que existe.

“Não é demais enfatizar que este conceito é pagão, animista, pré-religioso, de  tempos  em  que  o  homem  deificava  as  forças  da  natureza,  principalmente a “Mãe-Terra” que era vista como um útero do qual saíam  todos.  Em  épocas  em  que  os  conhecimentos  sobre  a  reprodução  eram  rudimentares  –  quando  existiam  –  a  correlação  entre  mãe,  gravidez  e  nascimento  era  algo  mágico  que  se  explicava  pela  onipresença  do  solo,  onde  era  possível  assistir  ao  plantio  e  ao  posterior  crescimento  das  plantas. A participação paterna era nula, não se relacionava o coito com a  gravidez.” [Alberdi]

No ecologismo o planeta é um ente sagrado, Mãe-terra, e todos os seres são os seus filhos. E o Ocidente é um filho revoltado que se colocou acima da própria Mãe, e deve se submeter às normas da Mãe-Terra como os animais e plantas. No ecologismo existe uma igualdade substancial entre homens, animais e plantas. E as diferenças são apenas circunstanciais, gradativas e secundárias.

O culto à Mãe terra é uma prática pagã que coloca o ser humano em função da terra, uma terra anímica onde a fauna e a flora são seres com constituição psíquica.  O homem está preso como uma planta que deita raízes neste solo e fora desse território deixa de existir - o indivíduo é uma célula, os Estados são órgãos ou partes dentro do organismo, a Mãe-Terra. Este conceito foi muito utilizado nos movimentos políticos pagãos, por exemplo: o nacional-socialismo e o Indo-socialismo da Pachamama (Mãe-Terra). Um conceito de fraternidade bem diferente do ecumenismo cristão. Na Mãe-Terra o ser humano é uma planta dependente e determinada pelo meio ambiente.

Para os ecologistas, os apóstolos da Mãe Terra, a concepção de homem ocidental embasada no pensamento grego e cristão é demasiadamente antropocêntrica pelo fato de colocar o homem no centro do mundo e acima das demais criaturas terrenas. A terra foi criada para o homem, e não o homem criado para a terra. Somente o homem foi feito imagem e semelhança de Deus.

Os valores ocidentais colidem frontalmente com o paganismo que estabelece um vínculo de subordinação do homem à Terra.  O homem deve prestar culto, mudar o seu estilo de vida, sacrificar seus filhos e aderir ao controle populacional para satisfazer os supostos interesses da Mãe Terra, e nunca perturbar o seu equilíbrio. Os ecologistas são contrários ao dualismo, homem - meio ambiente, para eles o homem é parte do ecossistema, não um ente superior.

O projeto globalista dessa ideologia totalitária é gestado dentro de diferentes territórios nacionais por ONGs, movimentos sociais, grupos de pressão, celebridades, personalidades intelectuais e políticos que buscam influenciar no processo decisório dos governos locais. E a própria Organização das Nações Unidas (ONU) opera como o comitê diretivo dos globalistas – a Carta da Terra exemplifica isso.

A Carta da Terra (2000) é uma declaração universal dos Deveres do Homem para com a Mãe terra, um imperativo ecologista. O homem é um agente modificador da natureza que, não se dobra às normas da Mãe-terra - um elemento destrutivo inserido no Ecossistema. E por isto, deve obedecer aos desígnios da Mãe-Terra, ou seja, se portar como os animais e plantas. O homem deve ser uma árvore. 

A história da Carta da Terra é interessantíssima. Ela foi proposta oficialmente durante os dias 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro, Brasil, durante “A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento”, também conhecida como Eco-92, Rio 92 ou Cúpula da Terra. Foi uma conferência organizada pela ONU que reuniu chefes de Estado e ONGs entorno da temática do meio ambiente. O encontro resultou na aprovação da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, uma espécie de Carta da Terra preliminar. E esse encontro também resultou na ideia de formar uma organização ambiental de caráter emergencial, a Cruz Verde Internacional. A Cruz Verde Internacional foi oficialmente fundada em 1993 pelo antigo líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev.

Em 1995 a Cruz Verde Internacional e o Conselho da Terra respectivamente coordenados por Mikhail Gorbachev (Cruz Verdade Internacional) e Maurice Strong (ONU), e com recursos de diversos governos, bancos e ONGs, realizaram em Haia, Holanda, um encontro com diversas personalidades, organizações, governamentais e não governamentais que resultou na formação da Comissão da Carta da Terra, sendo Leonardo Boff, pregador da teologia da libertação, o representante da América Latina nesta comissão.  Em 1997 foi redigido o primeiro esboço da Carta da Terra sob a coordenação de Maurice Frederick Strong (1929-2015) – personalidade ligada às fontes não-renováveis de energia e com interesse na preservação de recursos naturais, para impedir o descobrimento de novas fontes de energia – e Mikhail Gorbachev (1931) - antigo líder da União Soviética que busca encontrar uma nova via para o socialismo através da ONU e da Ética global.

E entre 1998 e 1999 foi redigido o segundo esboço da Carta da Terra que manteve os termos de Strong e Gorbachev, adicionando as contribuições de Steven Clark Rockefeller (1936) – um dos membros mais velhos da família de “filantropos” que atua no financiamento de causa ambientais e na Planned Parenthood, órgão especialista em aborto e controle populacional. E publicou em 1992 a obra, Espírito e Natureza: Por que o meio ambiente é uma questão religiosa: um diálogo inter-religioso. E a Carta da Terra foi ratificada entre 12 e 14 de março de 2000 passando a ser norma global dos anos 2000 em diante. 

A Carta da Terra foi um documento elaborado com a intenção de ser o Decálogo da Nova Era. Que irá substituir a cosmovisão ocidental de humanidade pela ideologia totalitária denominada de Mãe-Terra como novo paradigma global.

A Carta da Terra é constituída de 16 princípios. E no seu preâmbulo afirma que: “Estamos   diante   de   um   momento   crítico   na   história   da   Terra,   numa   época   em   que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais  interdependente  e  frágil,   o  futuro  enfrenta,   ao  mesmo  tempo,  grandes  perigos   e  grandes promessas.   Para   seguir   adiante,   devemos   reconhecer   que,   no   meio   da   uma   magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre   com   um   destino   comum.   Devemos   somar   forças   para   gerar   uma   sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.” [p.1]

“A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida.” [p.1]

“A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.” [p.1]

E afirma categoricamente que “São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida.” [p.1]

“O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.” [p.1]

“Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.” [p.2]

“Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos   os   seguintes   princípios,   todos   interdependentes,   visando   um   modo   de   vida sustentável   como   critério   comum,   através   dos   quais   a   conduta   de   todos   os   indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.” [p.2]

E em seus princípios estão presentes as ideias mais absurdas.
𔄙. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a.   Reconhecer   que   todos   os   seres   são   interligados   e   cada   forma   de   vida   tem   valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.” [p.2]
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações. [p.3]
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial   preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida. [p.3]
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.” [p.3]
󈫾. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação  para sustentabilidade.
c.   Intensificar   o   papel   dos   meios   de   comunicação   de   massa   no   sentido   de  aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d.   Reconhecer   a   importância   da   educação   moral   e   espiritual   para   uma   subsistência sustentável.”  [p.6]
󈫿. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.” [p.6]
“Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.”  [p.7]

“Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com  imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão.” [p.7]

“Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.” [p.7]

Existe também uma versão Kids da Carta da Terra denominada: Carta da Terra para Crianças. Uma versão elaborada com a intenção de inculcar ideias globalistas no germe da formação da personalidade. Tal ideologização infantil tem por justificativa, garantir um futuro melhor para as próximas gerações.

“Nesse universo, nosso planeta é cheio de vida, com muitas plantas, animais e pessoas. Juntos, formamos uma única comunidade de vida,  onde dependemos uns dos outros para garantir nossa  sobrevivência no planeta.” [p.5]

E na parte intitulada “Conheça os Princípios da Carta da Terra” a versão Kids diz:
“Tenha respeito pelo modo como as plantas, animais e pessoas vivem (mesmo que lhe pareça estranho ou diferente)” [p.9]

A mensagem do dia 22 de abril de 2016 do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para o Dia Internacional da Mãe Terra ,22 de abril, reafirma esses princípios da Carta Terra. E coloca a necessidade do homem se comportar como as plantas diante do meio ambiente, e não como o seu dono. A Mãe terra é a dona do homem. 

“O Dia Internacional da Mãe Terra é uma oportunidade para sublinhar a interdependência entre as pessoas e a imensa variedade de espécies com as quais partilhamos este planeta. [...]  Tal como cada árvore desempenha o seu papel na biosfera, também nós, enquanto indivíduos, devemos preocupar-nos com o nosso planeta e com todos os seres vivos que o habitam. Um novo futuro pode ser nosso se respeitarmos e investirmos na Mãe Terra.”

A Carta da Terra formulada pela dita “comunidade internacional”. É um dos projetos globalistas de poder formulados para legitimar a construção da Nova Ordem Mundial.

Fontes:

SANAHUJA, Juan Claudio. El desarrollo sustentable: La nueva ética internacional. Ed. Vórtice, Buenos Aires, 2003

ALBERDI, Juan Bautista, O Estado onipotente e as liberdades individuais – Segunda parte, traduzido por Heitor De Paola, 01 de fevereiro de 2008.

A Carta da Terra
http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/carta-da-terra

Carta da Terra para crianças
http://earthcharter.org/
Versão em português- http://earthcharter.org/invent/images/uploads/Carta%20da%20Terra.pdf

A mensagem do dia 22 de abril de 2016 do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para o Dia Internacional da Mãe Terra. https://www.unric.org/pt/actualidade/32285-mensagem-do-secretario-geral-da-onu-para-o-dia-internacional-da-mae-terra-22-de-abril-de-2016