COLOMBIA: O CONGRESSO NÃO É LUGAR DE BANDIDOS!

 

Santrich, tire suas mãos do Congresso da Colômbia!

Eduardo Mackenzie

É preciso felicitar o presidente da Câmara de Representantes, Rodrigo Lara Restrepo, que decidiu proibir a entrada no Congresso dos tenebrosos chefes das FARC que passeiam pelo país, nestes dias de falso “pós-conflito”, como em terra conquistada.

A atitude de Rodrigo Lara é o sinal de que há um renascer da dignidade colombiana frente ao crime organizado? Significa que novos setores da classe política, que antes apoiavam o governo de Juan Manuel Santos, estão despertando de uma letargia? Que estão saindo da hipnose em que caíram por conta do “processo de paz”? Que se dão conta de que as FARC, apesar da abdicação de Santos ante todas as suas pretensões, não mudaram e que a ameaça que elas representam redobrou?

Esperemos que Rodrigo Lara não se deixe intimidar e não dê marcha-ré em sua determinação de fazer respeitar o Congresso da Colômbia, pois Santrich quer continuar fazendo das suas e lançou uma ofensiva de insultos e de manobras secretas para se vingar do presidente da Câmara de Representantes. Não perdoa que ele queira fechar as portas do Congresso à subversão armada.

Todo mundo lembra da entrada ilegal de Santrich em 12 de outubro passado na Comissão Primeira da Câmara de Representantes. Com a cumplicidade de uma politiqueira do Partido Verde, o porta-voz das FARC se instalou, tomou a palavra e insultou as vítimas que se encontravam no recinto, ao pretender justificar os crimes e atrocidades cometidos pelas FARC durante cinco décadas, desde essa tribuna.

Por sorte houve nessa comissão um representante que protestou ante essa provocação. Edward Rodríguez, vítima das FARC (seu irmão foi assassinado pela organização narco-terrorista), gritou na cara de Santrich que ele era um “assassino” e que não devia falar ali, até que não seja julgado e não peça perdão às suas vítimas. A resposta do terrorista foi a de costume: ameaçou o representante do Centro Democrático de lhe abrir um processo, um desses que os advogados das FARC sabem montar com truques e testemunhas falsas. Um dos auxiliares de Santrich gritou para Rodríguez “para-militar”, anunciando qual será a acusação que os bandidos marxistas esgrimirão contra o deputado Rodríguez. No mesmo dia, Santrich retomou seus esforços. Para se exibir como uma pomba mansa, afirmou nas redes sociais que ninguém podia chamá-lo de assassino pois ele havia sido “anistiado”.

Falso, lhe respondeu o ministro da Justiça. Enrique Gil Botero explicou que Santrich não foi anistiado e continua sendo um réu que deve passar pela justiça. Se um obscuro juiz de Pasto, onde Santrich tem agentes, lhe assinou uma sentença de “anistia de iure” por alguns crimes, isso não exime o chefe comunista de se apresentar ante a justiça para responder pelos outros crimes que cometeu, sobretudo por aqueles de lesa-humanidade os quais, como todo mundo sabe, não são prescritíveis nem anistiáveis. Logo, a situação jurídica de Santrich está longe de ser clara e suas presunções de homem que não deve nada à justiça acabam de ser destroçadas pelo ministro da Justiça e pelo presidente da Câmara de Representantes.

Rodrigo Lara Restrepo é um quadro dirigente de Cambio Radical, partido dirigido pelo ex-vice-presidente de Santos, Germán Vargas Lleras. É filho do liberal Rodrigo Lara Bonilla, ministro da Justiça assassinado em Bogotá pelo Cartel de Medellín em 30 de abril de 1984.

Rodrigo Lara, que em julho passado, ao começar sua presidência da Câmara de Representantes, disse que seu dever consistia em “levar adiante os projetos de implementação dos acordos com as FARC”, acaba de fazer distinção importante sobre as atividades das FARC no meio paralmentar. Revelou que os chefes desse bando estão tratando de penetrar o Congresso e as instituições com o argumento de que foram autorizados para “fazer pedagogia dos acordos”. “Porém, uma coisa é fazer pedagogia e outra é fazer proselitismo”, argumentou Rodrigo Lara. Essa distinção é chave. As FARC tratam de confundir as duas noções para abrir portas em todas as partes, de maneira abusiva.

A atuação de Santrich na Comissão Primeira foi, com efeito, contrária a toda pedagogia: foi proselitismo, provocação e intimidação, o que constituiu uma violação do compromisso de fazer discursos pacíficos sobre os pretendidos acordos que, de todas as maneiras, foram repudiados pelos colombianos no plebiscito de 2 de outubro de 2016.

“Não é um abuso” (proibir a entrada dos chefes das FARC no Congresso), declarou Rodrigo Lara Restrepo. “Desde que eu assumi a Presidência da Câmara, eles (os civis designados para ser porta-vozes das FARC nesse local) vêm ingressando no recinto. O diretor de segurança, o coronel Bernal, sempre me chama e me diz ‘esses senhores estão aqui, o senhor autoriza a entrada?’. Muito a contragosto deixo mas não por eles, e sim por respeito aos representantes que os convidaram a foros e audiências. Eu lhes disse: isto vai se converter em uma provocação, porque eles têm autorização para fazer pedagogia dos acordos, mas não fazer proselitismo”.

Outro detalhe que os eleitores deverão ter em conta no momento de votar em 2018, é a constatação feita pelo presidente da Câmara de Representantes que explicou à imprensa que os representantes do Polo de Petro e do Partido Verde “estão convertendo tudo isto em uma provocação para os colombianos”, e que “o certo é que restrinjam o convite a estes senhores (das FARC) ou que o façam quando já tenham formalmente se submetido a um juiz”.

As más linguas do santismo acusam Rodrigo Lara de ter se passado ao uribismo desde o momento em que Germán Vargas Lleras decidiu abrir uma campanha de assinaturas para ser candidato presidencial. A pergunta é: tal mudança de atitude ante as FARC e seus letais acordos é uma simples virada com vistas eleitorais? Ou isso responde a uma avaliação mais fina e realista do que implica para o país a implementação dos acordos Santos-FARC? Ou é uma combinação das duas coisas? É muito cedo para sabê-lo. Porém, temos que sabê-lo perfeitamente. Depois observemos com a maior objetividade e senso do detalhe cada passo que dará essa informação. O destino do país está em jogo.

Tradução: Graça Salgueiro